De onde vem nossa vocação?
- Vinicius Gonçalves

- 4 de mar. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de mar. de 2018
Você acredita que nascemos com qualidades e dons para profissões específicas? Ou será que podemos mudar de vocação durante nossa vida? Vamos descobrir!

Diariamente jovens, adolescentes e até mesmo adultos que buscam por uma reinserção no mercado de trabalho, vivenciam questionamentos a respeito de sua escolha por uma profissão. Este processo, que a princípio pode parecer simples, muitas vezes, vem acompanhado de angustia, frustração e altos índices de ansiedade.
A maior parte desses sentimentos ruins são derivados da responsabilidade inerente da “escolha certa”, que traz consigo uma série de fatores importantes e, muitas vezes, podem sinalizar consequências aversivas.
Um ponto importante a ser considerado, antes de iniciar essa breve reflexão a respeito de nossas escolhas por determinadas profissões, está na compreensão que a psicoterapia comportamental possuí a respeito daquilo que comumente chamamos de “vocação profissional”.
O que é vocação, afinal?
Então vamos lá, gostaria que você, meu caro leitor, refletisse um pouco sobre o significado do termo “vocação”. Esse foi um termo socialmente aplicado para justificar a prática profissional ou característica determinante nas nossas escolhas pelas profissões que gostaríamos de exercer. Mas o grande problema de se adotar esse termo de maneira despretensiosa, está na sua correspondência a determinantes inerentes a pessoa. Basicamente, estaríamos nos referindo a um tipo de processo interno que deve ser reconhecido e revelado ao seu portador. Um pouco confuso, certo? Calma, eu te ajudo a entender!
Enquanto terapeuta comportamental, busco interpretar vocação como uma construção particular, um processo de múltiplos fatores que colaboram para o desenvolvimento de características pessoais. Em outras palavras, vocação não é determinada por processos internos, mas pela constante interação do indivíduo com o ambiente, as modificações que produz no mundo e retroagem sobre ele (Parafraseando Skinner).
Isso nos permite afirmar que nossa vocação é socialmente construída e, além de nossa história genética particular, há uma mediação importante proveniente da nossa história de vida pessoal e da cultura que estamos inseridos.
Vamos deixar as coisas mais claras!

Imagine que você escolha por uma profissão que exija altos níveis de leitura, no entanto, você é portador de algum tipo de deficiência visual que dificulte sua interação com a leitura (Há histórico familiar de tal deficiência). Agora tente imaginar que, durante seu desenvolvimento, sua relação com a leitura não tenha lhe provido consequências reforçadoras positivas (Conhecimento, melhora de vocabulário, sensações de relaxamento etc), ou, tenha sido neutra, nada de bom ou ruim que tenha sido relevante. Por ultimo, imagine que sua família e até mesmo a maior parte de seu convívio social, como amigos e conhecidos, atribuíssem maior valor para o manuseio de ferramentas ou trabalhos manuais que não exigissem altos padrões de leitura.
Poderíamos afirmar que esse seria um panorama desfavorável para construção de uma vocação de leitura, certo? Se você concorda comigo, fico feliz em te dizer que você acaba de assumir parte de uma visão comportamental para compreender o fenômeno da vocação profissional – Vocação é construída, não herdada-
Mas o que acontece com essa pessoa que respondeu a esse contexto que exemplifiquei? Certamente desenvolverá uma vocação profissional que corresponda as variáveis (condições) que afetaram o seu desenvolvimento.
A beleza desta proposta comportamental está na percepção e reconhecimento da flexibilidade humana! Somos sensíveis ao contexto, as relações de funções que vivenciamos e estabelecemos no decorrer de nossa vida.
“Vocação é construída, não herdada!”
Importante!
Vamos resumir essa discussão, dois pontos importantes pra você nunca mais esquecer;
- Primeiro; nossa vocação é construída conforme nosso desenvolvimento e interação com o mundo particular da qual fomos expostos. Essa interação é a responsável pela construção das funções de nossa vida.
- Segundo: espero que você entenda que, mesmo depois de longos anos, há possibilidades de construções para uma nova vocação profissional. Funções são desconstruídas e construídas. Um processo psicoterapêutico pode ser fundamental nesse ponto, mas deixaremos esse assunto para um próximo texto, ele merece uma atenção especial, ok?
Grande abraço!
Nos vemos em breve.






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